Com aptidão para desenho e criado em meio a engenheiros e arquitetos, Gordilho diretor de arte da agência Africa, estava fadado a ser mais um profissional dessa área. Ou, na pior das hipóteses, um funcionário bem remunerado do Banco do Brasil ou da Petrobras. E quase foi. Começou a trabalhar com o avô, Walter Gordilho, renomado arquiteto da capital baiana, aos 14 anos, e chegou a cursar a faculdade de arquitetura, que quase concluiu.

Sem paciência para esperar um ou dois anos para ver o projeto de um prédio concluído, ele abandonou a arquitetura e se empenhou no mundo do design. Autodidata, criava adesivos e demais peças para faculdades e outras instituições, foi cartunista do jornal Tribuna da Bahia e desenvolveu projetos para blocos de carnaval, desde a logo-marca até o outdoor e o comercial, até que foi chamado por Fernando Barros para ir para a Propeg. Em 1994, veio fazer um trabalho de três meses em São Paulo, de onde só saiu para morar durante um ano e três meses em Londres para estudar design gráfico.

Com a experiência de quem já passou por agência como DM9DDB e Bates Brasil, Gordilho afirma que para agüentar o que ele chama de ritmo alucinante de trabalho é necessário, sobretudo, gostar do que se faz, mas, principalmente, não deixar de se interessar pela informação, ler muito, estudar muito, viajar muito, enfim, estar sempre aberto para todas as influências. “Não leio nada em russo, mas visitando a antiga União Soviética comprei um livro só pela beleza da capa”, diz, sempre atento a detalhes gráficos. Atenção que recai sobre tudo, apesar do ar aparentemente desligado, do temperamento calmo, até um pouco introvertido, além de ele mesmo se autodenominar uma pessoa simples, despreocupada com aparências.

Referência: revista Propaganda nº 618 – nov/2002

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